quinta-feira, setembro 29, 2005

Saudades de Paris


Paris...
Avenidas, monumentos, pontes.
Janice e os seus longos cabelos indomados,
Vibrantes milheirais maduros ao sol na Rive Gauche.
Janice e as nossas promessas incumpridas.
Janice na noite. Janice na cama.
Os lábios na boca, a língua nos lábios, o u francês.
Janice, esguia, a olhar... Esqueci o olhar.
Avenidas, monumentos, pontes...
E a memória a afastar-se como uma avenida
Na Étoile, na Défense, em Versailles, no céu, no mar...



Imagem de Paris de www.fractal-landscapes.co.uk.

Poema de Joaquim Camarinha

sábado, setembro 24, 2005

Anti-global, anti-mundial!

Vejo-os todos contra a sociedade de consumo,
Anti-globalização, anti-modelização,
Sempre que compram produtos de marca
Ou se zangam por não os comprar...
Estão sempre em luta! Cansar-se-ão muito?
Imagino-me a trabalhar o dia inteiro ao sol e à chuva,
A morrer de tédio diante da paisagem sempre igual,
A cozer batatas para mim mesmo sem me apetecer...
E fico cansado só de pensar.



Imagem de www.laken.com.

Poema de Joaquim Camarinha

Eyes wide shut

Se algo me entristece de facto
É o facto de não poder olhar ao meu redor
Sem estar, sem querer, a olhar alguém
Que logo sente o meu olhar...
Todos e todas tão centrais!
Cada pessoa é uma estrela
Ofuscante ou apagada
Mas sempre o olho de Deus!
Devo ser mesmo estranho (e aqui, central) ao entender
Que quem assim me olha fixamente
Estará provavelmente a olhar para alguém além de mim
Ou para alguma coisa além de mim
Ou até, naturalmente, para coisa nenhuma...
E é tudo tão vácuo que nem disto falaria
Se não fossem as palavras o que faz os poemas...



Imagem de www.oddbox.com (pintura de David 23).

Poema de Joaquim Camarinha

quarta-feira, setembro 21, 2005

Para tristes chegais vós


Vá, estou cheio de mariquices!
Raivas, rancores, ranger de dentes,
Más caras
E atitudes tristes,
Sobretudo atitudes tristes
Que só entristecem mais quem as tiver.
Tomai calmantes!
Antidepressivos!
Ide à praia
Ou à montanha,
Tomai copos,
Cantai canções,
Dai quecas se não for possível o amor!
Mas fazei alguma coisa! Algo, pelo amor de Deus!
Algo que não entristeça ninguém
Porque para tristes já chegais vós.



Imagem de www.aefraser.com (pintura de Amy E. Fraser)

Poema de Joaquim Camarinha

segunda-feira, setembro 19, 2005

Anjos e pecados


Eu, que nem católico sou,
Nunca fui e não conto vir a ser,
Que nunca sequer fui pressionado para o ser
E que vou a Roma pelas ruínas romanas,
Trago sempre um fantasma à minha frente
A cerca de um metro do meu campo de imaginação,
Vestido de branco etéreo da cabeça aos pés
(E o branco é, para mim, o vazio absoluto)
De dedo em riste, acusatório e censor...
Pecaste! Pecas! És um poço de pecado!
Pecados... Culpa de coisa nenhuma.
E as colunas absurdamente gigantescas da Basílica de Pedro
Continuamente se abatem e me esmagam
Sob o peso dos séculos e das fogueiras...



Imagem de http://artsales.com (tela de Yoshitishi Taiso: 1839-1892)

Poema de Joaquim Camarinha

sábado, setembro 17, 2005

Quem é Joaquim Camarinha (parte 1?)



Nome completo: Joaquim Alberto de Sousa Marques Camarinha

Data de Nascimento: 15 de Dezembro de 1970

Local de Nascimento: Coimbra

Hora de nascimento: 9 da manhã

Signo solar: Sagitário

Signo Lunar: Caranguejo

Ascendente: Sagitário

O pai, António Jorge Andrade Camarinha, e a mãe, Maria Fernanda de Sousa Marques, ambos professores no liceu Infanta Dona Maria, em Coimbra, tiveram-no já um pouco tardiamente para a época, com respectivamente 42 e 36 anos de idade.
A infância de Joaquim não teve muito de notável. Filho único, mimado pela família, sempre revelou um espírito de grande independência e uma tendência inata para as letras. Ainda nos primeiros anos da escola primária, já compunha pequenos poemas inspirados em coisas que tinha lido, e compreendido ou não, na vasta biblioteca do pai, que os guardava ciosamente na carteira e os mostrava frequentemente e com orgulho aos amigos.
De igual modo, sempre demonstrou forte interesse pela música e pela pintura. Ainda criança, revelou interesse pelas músicas reggae, punk e new wave, enquanto os amigos se preocupavam mais com os últimos êxitos dos Queijinhos Frescos. Bem gostaria, nesse tempo, de usar, consoante a época, blusões de couro com correntes e alfinetes ou gabardinas escuras até aos pés... Mas o pai, pessoa afável mas conservadora, principiava a preocupar-se com tudo aquilo que não compreendia (ou não aceitava para o seu próprio filho) e procurou incutir-lhe o gosto pela música séria e pela literatura. Foi assim que o matriculou numa escola de música, que Joaquim apenas frequentou um ano, sendo que a directora da escola comentou que aquele aluno não tinha “nem capacidade nem qualquer tipo de interesse”. Já no tocante à literatura, Joaquim sempre devorou livros, nomeadamente de poesia ou prosas que o transportassem a outros locais e a outros tempos. O desejo de fuga manifestava-se nele desde cedo.
E era como que uma previsão do que estava para vir… Findo o ensino secundário com notas meramente regulares, Joaquim foi posto fora de casa pelo pai, ainda que com forte oposição da mãe, pessoa, entretanto, fortemente influenciada pelo marido, por ter sido encontrado a fumar haxixe no seu quarto, rodeado de revistas pornográficas.
A zanga manter-se-ia, mais por ausência de contacto do que por teimosia, durante vários anos. Entre 1990 e 1998, Joaquim viveu primeiramente em Barcelona e, de seguida, em Paris, Amesterdão e Londres. Foi em Amesterdão, precisamente, que aprendeu a profissão de barman, a qual continuou a exercer durante a sua estadia em Londres. Em Dezembro de 1998, o seu vigésimo-oitavo aniversário completado, sentiu-se atacado de uma súbita nostalgia e foi assim que apareceu, no final do ano, a bater à porta de casa dos pais, como um fantasma subitamente emergindo do passado.
Sentiu-se de tal forma bem recebido que acabou por optar por não regressar a Inglaterra. O país, com as mudanças que sofrera entretanto, despertou-lhe igualmente a curiosidade. No início de Janeiro, telefonou a Jane, a sua namorada inglesa com quem planeava casar-se, e colocou um ponto final no namoro. Joaquim conhecera muitas mulheres durante os oito anos passados fora e aprendera a não se ligar demasiadamente a quem quer que fosse, ainda que sempre atraído pela ideia de constituir família, o que o poderá ter levado ao relacionamento mais íntimo com Jane. É possível que uma e outra faceta, aparentemente contraditórias, se liguem ao facto de ter simultaneamente o Sol e o Ascendente em Sagitário, enquanto Caranguejo é o seu signo lunar. Bom, isso apesar do facto de Joaquim não acreditar na Astrologia, ainda que se interesse por ela como por tantas outras coisas…
O pai tentou convencer Joaquim a reiniciar estudos, enveredando por um curso superior. Mas a ideia não atraiu Joaquim, sempre avesso a ler e aprender o que os outros desejassem mas ele não, embora sempre ávido de novas descobertas em todas as áreas, um curioso nato.
Em Maio, Joaquim partiu para Lisboa, onde viveu durante quatro anos num quarto alugado na zona de Benfica.
No final de 2002, de visita aos pais pelo Natal, conheceu num bar uma rapariga do Porto, Carla, que lhe despertou o interesse pelo Norte, que conhecia muito mal. Não regressou a Lisboa. Iniciou desde logo uma relação descomprometida com Carla, mais por sua vontade do que dela, e mudou-se de armas e bagagens para o Norte, onde tem vivido num apartamento de um só quarto localizado em Matosinhos, trabalhando à noite como barman em diferentes locais: primeiramente na Ribeira, de seguida na Boavista, actualmente em Matosinhos. O contacto com Carla perdeu-se, embora ela lhe tenha telefonado várias vezes, de forma crescentemente distanciada, após Joaquim ter colocado um fim no namoro.
Actualmente com 34 anos, diz Joaquim a propósito da poesia, que nunca deixou de escrever: “A verdadeira arte poética está na contenção. Na contenção e na capacidade de misturar palavras, imagens e emoções. É isso que procuro fazer. Desprezo e não compreendo a poesia que se fica pela palavra ou que sacrifica tudo à forma”.
Relativamente à sua dificuldade em manter relacionamentos estáveis, afirma: “Já vi e vivi alguma coisa... E ainda não me sinto cansado nem perdi a curiosidade que ataca sempre que vejo algo que, aos meus olhos, traz algo de novo. Gosto de crianças, agrada-me a ideia de um lar feliz, tudo isso… Mas tenho tempo. Para já, a minha vida está perfeitamente preenchida da forma que está, gosto da noite e dos contactos, embora, por vezes, a minha cabeça fique cheia de ruído, ruído de coisas e de pessoas. Não gostaria de me casar e acabar a atirar e a desviar-me de pratos de quem quer que fosse, tanto mais que a louça está cara. Talvez não acredite no amor… Já tive tantos amores e tantas oportunidades de ver que as motivações das pessoas são basicamente egoístas, mesmo quando ninguém se apercebe disso… Ou talvez não tenha tido amores verdadeiros, talvez preze demasiadamente a minha independência… Haverá, possivelmente, quem me ache egoísta. Mas a essas pessoas eu digo para se auto-analisarem e tentar perceber se não serão elas próprias egoístas. Bom, talvez não acredite no amor e talvez até queira acreditar. Mas é difícil, não é? Andamos todos à procura da perfeição e, essa, acho que verdadeiramente não existe. Penso que se trata de mais um sintoma da sociedade de consumo. Mas não excluo a hipótese de encontrar alguém. Ou de ser encontrado… Essas coisas são sempre um pouco misteriosas e é também isso que as torna tão apropriadas para a poesia…”
Interrogado sobre a falta que a frequência de um estudo superior possa manifestar na sua poesia, Joaquim diz: “Cresci no meio de livros e de cultura. Aí, acho que tive boas bases. Sou naturalmente desprendido e não me agrada a ideia de aprender o que queiram impingir, não vejo qualquer interesse nisso para mim enquanto ser humano. A informação é tanta actualmente! Nunca deixei de aprender e não acho que me saia muito mal. Estou sempre a crescer. Quem não gostar do que eu faço, paciência… A escolha é tanta que tem que haver lugar até para mim!”

Informações recolhidas pelo autor do blog junto de Joaquim Camarinha.


Imagem recolhida pelo autor do blog.

O Vazio



Quando fazemos algo bem, cumprimos a nossa obrigação
E quando erramos somos punidos com o fogo da inquisição.

Procurei explicar o meu caso
(sem contratar advogado, é certo)
A Deus com todos os seus nomes
De todas as seitas e religiões,
Falei com os espíritos dos mortos,
Com os anjos, com os totéms animais,
Com o universo inteiro, vivo e inerte,
Com os orixás, com os deuses da Antiguidade,
Com os extraterrestres, com Freud e Carl Jung,
Dirigi-me até ao meu eu profundo
Com pêndulos, cartas, meditações e o que calhasse,
Tentei inclusive falar com Satanás...

Nada existe. Ninguém. Coisa nenhuma.

E continuo com um buraco no lugar da alma.

Rezei vinte e um terços e adormeci a meio...
O sono, pelo menos, é bom e silencioso.
Dêem-me ópio, o deus verdadeiro, talvez...
Quero diluir-me e iluminar-me na escuridão.
Poema de Joaquim Camarinha

sexta-feira, setembro 16, 2005

Ela fazia fotografias


Ela fazia fotografias...
Todas fazem algo e algumas fazem-no melhor;
Coisas melhores, também.
Como fará ela amor?
Provavelmente, nunca o saberei,
Do mesmo modo que nunca lhe vi as fotografias...



Imagem de www.jamesbrady.fsnet.co.uk.

Poema de Joaquim Camarinha

Fruta, tanta fruta!

Frize de morango!
Limão, maracujá, laranja, figo,
Tanto, tanto...
Que indecisão!
Não me sobra tempo para tudo
Mas tudo é tão apelativo!...
Só a indigestão é má.
Eu quero Frize
Não demais, só o bastante
Mas querer-me-á Frize a mim?
Indecisão, associação, dissolução...
Dói-me a alma de tanto não escolher.
Bebo antes uma cuba livre
Que tem, é certo, nome de liberdade.


Imagem de www.playmc.com.
Poema de Joaquim Camarinha

quinta-feira, setembro 15, 2005

Que zumbido, este zumbido!



Que zumbido, este zumbido, sempre, sempre
Este zumbido, do outro lado do balcão
Como zumbem, como zoam
Como zá-zé-zi-zó-zu!
Tenho pilhas de palavras a entupir-me a memória
Os zumbidos contra os copos, as mesas e as paredes
Sempre o jogo e a conversa
Dêem-me vinte aspirinas!
Talvez eu seja arrogante
Ou algo mesmo muito mau
Algo só reservado para alguém inominável...
Melhor, muito melhor, pois dispenso toda a gente!
De dia, tenho o café e os cigarros
Os livros e o computador...
À noite, sempre tenho cuba livre para me embutir os sentidos...
E posso viver a dormir vinte e quatro horas por dia...
Sou quase São Joaquim!
Quando tudo se acabar e só me restar o zumbido
Ponho um fim rápido à coisa
E vou em silêncio sorrir
Para os prados do repouso.



Imagem de http://radio.weblogs.com.

Poema de Joaquim Camarinha

Caçadinhas


Acho graça a sentar-me numa esplanada
E observar as crianças a jogar às caçadinhas.
(Não me incomodam os gritos tão agudos,
Estou habituado a ouvir música alto).
Gosto, então, de os ver correr
Como um dia, também eu, corri...
Certas pessoas garantem não se recordarem da infância:
Ou mentem ou fazem-me pena
E também me fazem pena se mentem.
Portanto, eu já corri
Como correm as crianças,
Correm como passarinhos, o que é quase poético como imagem...
Ou talvez fique melhor dizer que correm como lebres
E que enquanto correm o tempo pára a olhar.


Imagem de www.lakelandhospital.com.

Poema de Joaquim Camarinha

quarta-feira, setembro 14, 2005

Dumbo



"Lembras-te do Dumbo?"
Semicerrou os olhos como que a lembrar-se do conhecimento de uma noite.
"Não. Já me perguntei por onde andará!"
Óbvio. Não acreditava no Dumbo e nas suas orelhas voadoras...
Mas eu sim.
Lembro-me da primeira vez que vi o Dumbo
Teria cinco anos, talvez
Seguia de mão dada com o meu pai
A sua mão enorme, como as orelhas do Dumbo,
Mas impedia-me de voar.
A sua mão enorme... Que saudades!
Dizem que Disney criou o Dumbo após uma estadia no México
Dizem que ele experimentou cogumelos mexicanos...
Eu, até agora, só experimentei champignons.
Mas crio poemas.
"E então, tens visto o Dumbo ou quê?"
"Não. Queres apanhar um avião até minha casa quando o bar fechar?"



Imagem do Dumbo de http://ufa.optima.ua.

Poema de Joaquim Camarinha

segunda-feira, setembro 12, 2005

E se repete e se repete e se repete...

A repetição que se repete e se repete e se repete...
Os mesmos locais
As mesmas caras
Os mesmos cafés
Os mesmos cigarros
Digestivos iguais
Conversas no mesmo tom...
E porque não haveria tudo de se repetir?
Se até as mais emocionantes montanhas-russas
Se repetem, permanentemente em voltas tão iguais...
A diferença está toda dentro da cabeça!
Como a semelhança, aliás,
O que se repete e se repete e se repete...
A verdade é que tenho vindo a reparar
Que são as pessoas aparentemente mais revolucionárias,
As que mais se zangam contra todos os males do mundo
E mais banalizam quem lhes fica mesmo à beira
Quem mais se repete e se repete e se repete...
São como um disco riscado
Mas muito mais difíceis de calar.



Imagem de http://img31.photobucket.com.

Poema de Joaquim Camarinha

Parece-me lembrar-me de algo...


Parece-me lembrar-me de me ter apaixonado às vezes...
Até de acreditar em coisas, grandes e pequenas
Pré-marcações kármicas, registos akáshicos, almas... sei lá... confesso: gémeas!
(Onde vou buscar tudo isto, se nunca fiz a faculdade e só leio o que me apetece?
Talvez a algum cibercafé, palavras no ar, entre um cigarro e outro...)
Parece-me lembrar-me de algo... Lembrar-me de quê, afinal?
É isso, certamente, de me ter apaixonado às vezes!
Cheguei a achá-las belas, inteligentes
E no fim de contas não conseguem escrever um poema
Não entendem nada de poemas nem de vida,
Andam perdidas... Inteligentes? Não creio.
Belas, talvez... Enquanto o copo não esvazia.
Parece-me lembrar-me de ter acreditado em algo...
E, afinal, a única verdade palpável é a noite,
A noite e o seu cortejo de rostos vagos e recordações difusas...




Imagem de http://aminam.8M.com.

Poema de Joaquim Camarinha

sábado, setembro 10, 2005

Dorme


Nunca te alegres publicamente pelo que de bom tenhas alcançado - é presunção.
Guarda os teus pensamentos no banco mais fundo da Suíça, nunca os dês a conhecer - é arrogância.
Não contraries sequer o teu melhor amigo - a vida dele é sempre mais complicada que a tua.
Faz, não faças, faz que fazes, a culpa mora sempre em ti seja lá como for.
Dorme, dorme um sono antigo de oitocentos anos...
É verdade que como Bela Adormecida poderias ser mais bonito, ter menos pelos na cara, uma pele mais macia...
Nada que não se resolva com um whisky e uma cuba livre!
E sono, muito sono, muito sono...



Imagem de http://home.maine.rr.com.

Poema de Joaquim Camarinha

sexta-feira, setembro 09, 2005

As conquistadoras de corações


Já nem me consigo lembrar dos olhos de todas as mulheres que vejo!
Querem uma bebida
E conquistar corações...
Mas os corações não se conquistam como uma praça-forte,
Ou estão lá, onde quer que lá seja, ou não.
Umas arranjam-se demais, outras de menos...
Umas riem muito alto, outras muito baixo...
Umas são novas demais, outras demasiadamente velhas...
Umas são gordas demais, outras magras demais...
Umas são altas demais, outras demasiadamente baixas...
Umas falam bem demais, outras falam bem de menos...
Poderia continuar indefinidamente.................
Vêm em todas as cores e tonalidades
Sendo óbvio que nenhuma tirou um masters de design,
Beber um copo e conquistar corações...
Sorriem apesar de vazias e encho-as de cuba livre.
No fim, seguem para aventuras à sombra da noite
Ou para camas grandes ou apertadas demais.


Imagem de www.fionapienkowska.com.

Poema de Joaquim Camarinha

terça-feira, setembro 06, 2005

A educação moderna


Levanta-te, filho, é tarde!
Já me estás a enervar!
Come, miúdo, sem cenas!
As actividades à espera,
O almoço na cantina,
As aulas para aprender,
(Que é isto? Não tens Muito Bom?
A psicóloga onde estará?)
Corre para o karaté!
Corre para o instrumento!
Corre para o inglês!
Corre a aprender o Excel!
Corre, corre, corre, corre!
Os deveres estão por fazer?
Já me estás a enervar!
Come, miúdo, sem cenas!
Boa noite, dá um beijinho.
Amanhã é outro dia...



Imagem de www.bized.ac.uk.

Poema de Joaquim Camarinha

segunda-feira, setembro 05, 2005

Alma e sombra


Parece-me andar à procura da alma
Como Peter Pan atrás da sombra fugidia
(Lá fora há uma grande lua amarela, desenhada,
Vigia dos telhados vermelhos que nos encobrem)
Wendy observa pacientemente na sombra...
Como ter a certeza se cresci?


Imagem de www.peterpanfan.com.

Poema de Joaquim Camarinha

Voo de olhos cerrados


A ave voa
Nas asas da ave
Que voa
Nas asas da ave
Que voa
Nas asas da ave...
"Deixe-se tocar pelo prazer de partilhar"
Diz a toalhinha de papel polido do restaurante
(um homem e uma mulher tocam-se com os olhos cerrados)
Voam exclusivamente no interior das pálpebras
E eu vou passando pela vida a voar...


Imagem de http://others1.netfirms.com.
Poema de Joaquim Camarinha

sábado, setembro 03, 2005

Aquela rapariga



Aquela rapariga que me serve e me sorri
Naquela espelunca de vários pratos baratos
Só ela não é barata, só ela vale mais seja o que for
Do que a picanha dura e gordurenta
E o fino mal tirado no seu amarelo hepatítico
Acho que ela é uma espiga de milho ao sol do Verão:
Manteiga e uma tostadela e seria perfeitamente comestível.



Imagem de www.budapestsun.com.

Poema de Joaquim Camarinha

sexta-feira, setembro 02, 2005

Musas tão engraçadinhas...



Dediquei tantos poemas a musas, mulheres...
E, no fim, elas são todas rapazinhos crescidos
Que adoram o action man.
Tão engraçadas
Na sua dualidade neurasténica do bem e do mal!
As mulheres são a costelinha mais complicadamente exótica
Que algum deus se poderia ter lembrado de cozinhar...



Imagem de www.sachal.com.

Poema de Joaquim Camarinha

Pardalinho em fuga



Voa, pardalinho, para longe
Onde as nuvens negras não te alcancem
Nem as línguas das serpentes
Nem balidos dos cordeiros
Esquece a vida, esquece a rima
Faz de tudo uma partida
Sê no nada preenchido
Só lá podes ser pardal
Voa, pardalinho, para o nada
Só no nada tens a paz
E nada já é uma palavra a mais...



Imagem de www.poster.net.

Poema de Joaquim Camarinha

Poesia para todos, caviar para os outros!


Boa tarde e bem vindos à poesia do meu heterónimo, ou de mim mesmo (heterónimo), algo assim... Se gostam de poesia, pode ser que gostem, pode ser que não gostem, pode ser que gostem mais ou menos... A poesia é assim mesmo: feita para o coração, mas cada coração é diferente. Quem não gostar, passe à frente (e não é que rimou?).

Imagem de poundbury.info.
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