terça-feira, agosto 31, 2021

A vespa


 

A vespa zune numa elipse tonta
Protegendo o ninho de ilusão
Onde guarda cuspo e papelão
E a espada de veneno e proteção
Que ameaça o dia e o afronta

Para que servem vespa e presa
A mosca, o mosquito, a pulga, a aranha
O território, a terra, a pátria estranha
O lar, o olhar, o respirar, a artimanha
Se tudo é ilusório e sem surpresa

Imagem de: Wikipedia

segunda-feira, agosto 23, 2021

Entrega

 


Creio que o Senhor tem os seus caminhos
Por entre desertos e florestas densas
Galáxias de luz, negridões extensas
Cidades terrestres cobertas de espinhos

Creio mal valer o que possa crer
Nervos diluídos de ordens neuronais
Ora aqui felizes, ora ali fatais
Embrulhado em sonhos, tenso de viver

Deveria, acho, entregar-me inteiro
Ao que aparenta, que talvez exista
E ser satisfeito, sem pontos de vista
Mero grão de areia, sereno cordeiro

Aceitar o espinho que nasce com a rosa
Pois é natural, só eu o não sou
Cortar a raiz que se ressecou
Regar-me de paz doce ou ardorosa

Imagem de: Wikipedia


quarta-feira, agosto 18, 2021

I hear dead people


 

Áudio, vídeo, texto, real virtual
O círculo rodou no cosmos em mim
Suave ventania sem início ou fim
Brilho de existência e eu ser orbital

Diariamente os ouço como que presentes
Tocando instrumentos, contando-me histórias
No advir exaurido de luz e memórias
Científica dúvida de sopros ausentes

Diariamente falo e ao falar converso
Com desconhecidos que invadem o mundo
Na casa que ocupo, no sofá que afundo
Vivos no eterno, no sol, no universo

Imagem de: Pitchfork
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