quinta-feira, abril 22, 2021

Poeira do deserto


Os caracóis são pisados e enganchados
As lesmas esmagadas, liquefeitas
As pessoas feitas caminhar direitas
Os pescoços das gazelas são quebrados

É um redemoinho neuronal de criatividade
Em queda livre: poços espaciotemporais
E tudo é pó, as coisas vivas, naturais
Pó do deserto, cada grão uma igualdade

Na igreja diz-se bondade, missa, justiça
Nas assembleias o planeta é protegido
Nos discursos ninguém é preterido
E é uma mistura de ação e de preguiça

Imagem de: InfoEscola

quarta-feira, abril 07, 2021

Elegia violenta do idiota


Passa, corre, foge e ultrapassa
Num fogacho a arder, ser de corisco
Buzinas a estrondar, riscado disco
E cruza resvés a gente lassa
Que não passa, que se atrasa no sinal
És motor, estertor, carburador
Ronco e raiva de tempo cortador
Tudo revoa nessa cruzada final

Jazes agora num circuito morto
Poder torto, rumo nenhum, nem porto

Imagem de: Aldergrove Star

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