quinta-feira, abril 28, 2011

Quase Primeiro de Maio


Os trabalhadores sairão às ruas no Primeiro de Maio
E os não-trabalhadores e os patrões esforçados e os preguiçosos e os ladrões
E os éticos e os heréticos e os restantes, tantos
Todos nas ruas, fora delas e além delas
No dia que recorda algum evento diluído
Eu mesmo diluído porque não recordo tudo
Tudo vago, relativo, passado automático
Num Presente vago, decadente e electrónico
Que me explicará a data com um só clique na Internet
Até ao ano, até amanhã, até logo, até já

Imagem de: http://o.castelo.vai.nu.

segunda-feira, abril 25, 2011

25 de Abril revisited (com a UE, o FMI, a clientela habitual e outros)


Tanta gente se termina antes dos quarenta -
Uns porque se calam, outros porque calam, outros porque falam
E não há discursos institucionais que alterem
A viva realidade do caos teórico, in loco
Quando tudo é pouco...
O que leva, então, alguém a moldar o pensamento
Numa revolução honesta, sempre contra o tempo?
Incómodo, alguém tornado incómodo se cresce
Se já não deve, não se importa, nunca se importou
Alguém que, mal e bem, nunca se calou
E eis-nos todos nus face ao mundo que escurece...
Como em certas correntes da poesia brasileira
Dedico estas palavras, esta estranha cavaqueira
A Otelo, o inentendível que todos julgam entender
E ao João Freire e ao Guilherme que gostaria de rever.

Imagem de: http://revolucionaria.wordpress.com.

domingo, abril 24, 2011

Páscoa II


Mataram o cordeiro, sim
Na redenção pastosa do frenesim
Vermelho em que os sonhos todos morrem
E falsos xamãs enchem as ruas que percorrem
De sinos, foguetes, paramentos, rituais
E espíritos obviamente tão carnais

Mataram o cordeiro, o próprio Pai
E os seus exércitos de aves de rapina
Para servir o rumo, para cumprir a sina

Imagem de: www.allartclassic.com (detalhe de tela de Hieronymus Bosch).

quarta-feira, abril 20, 2011

Páscoa


Mataram o salvador da humanidade
Os sádicos, os bandidos, os corruptos
Que em actos malvados e abruptos
Nunca vi, senão de civilidade

Eles andam aí, eles-assombrações
Nunca partiram para os vis infernos
Nem os mártires para os céus eternos
Eu vejo-os sempre nas televisões

E em celebração do que se estabelece
Reúnem-se as famílias todas a comer
Ao som dos sinos, num cómodo esquecer
Para a ressaca que o espírito merece


Imagem de: http://alentejanando.weblog.com.pt/.



domingo, abril 10, 2011

Mais um pardaleco leve


O pássaro vem num instante
Plana noutro e cai na brida
Não é como a gente na vida
E quando olha adiante
Vê longe sem ver o distante

É pequeno e é cinzento
Mas sente-se só natural
Tudo nele é tão normal
O dia igual diferente
Porque usa bem a mente
A mente que voa com o vento

Imagem de: www.treklens.com.

sábado, abril 09, 2011

Como é que é possível que o congresso do PS...?

Como é que é possível que o congresso do PS esteja a passar em directo e ininterruptamente em canais de televisão privados? Será que a máquina com quem ninguém se pode meter (senão leva) comprou os ditos canais, será que os subornou? Que desrespeito é este para com a enorme maioria de cidadãos que não só não votaram no PS como - não estarei longe da verdade ao afirmá-lo - votaram contra o PS? É o Sócrates com a lágrima ao canto do olho, é o sacudir a água do capote no louvor permanente às virtudes próprias que só ao PS pertencem, é a arrogância incompetente e quase nazi de seis anos consecutivos em que o que sempre foi a esquerda passou a "extrema-esquerda" e o que sempre foi mera direita à direita do PS passou a "ultra-liberais", são os discursos mitomaníacos ou psicotizados da fé cega de quem não pode acreditar que perdeu ou está a perder - tão tarde, sacrossantas inteligências! - a fé numa coisa que é um mero partido político, uma coisa que nem constará da história reconhecida de uns 99% dos portugueses do futuro, é o Sócrates com a lágrima ao canto do olho (já o disse?), são as imagens históricas do Alegre e do Soares nos tempos em que não andavam de bengala psico-física, é a música própria de cerimónias de entrega dos Óscares, é um Portugal transformado na Venezuela do fundo mais fundo da Europa que não nos consegue mais aturar através de Sócrates e dos seus apaniguados e desequilibrados!... Como é possível que o congresso do PS esteja a passar em directo e ininterruptamente em canais de televisão privados, designadamente em canais de informação? Morreu alguém? Cristo voltou à Terra? Nasceu mais um filho à rainha de Inglaterra? Cromwell regressou e reinstaurou a República em Inglaterra? Os loucos fugiram de todos os manicómios e ameaçam (loucamente, inconscientemente) o estado da Nação? Talvez, talvez... Se os portugueses não forem loucos nem tiverem escapado a manicómio algum ou tiverem mesmo tido acesso a uma educação real que tenham realmente aproveitado, quero ver este PS espezinhado a 5 de Junho - espezinhado, pisoteado, humilhado, feito em nada, com menos votos ainda que os dos seus militantes inscritos. Porque é o que o PS merece. E se, um dia, Getúlio Vargas, se suicidou efectivamente sem nada que se lhe apontasse, porque não suicidar psicologicamente a vida do indivíduo que empurrou Portugal para a desgraça social, política e económica a toda a brida?

terça-feira, abril 05, 2011

Para lá da crise mediática e razoavelmente artificial que é uma tradição de séculos e com a qual os mercados abstractos nos estrangulam diariamente


Para lá do céu cinzento há o céu azul
Um balão no cosmos tocado pela cor
Como um ritual e em todo o esplendor
O sol brilha a Norte como brilha a Sul

Para lá do hoje há a não-idade
E a felicidade pode morar lá
Como uma verdade ainda oculta cá
O impacto constante da eternidade

Para lá dos mercados e ambições demais
Dos pobres, dos tristes, dos ladrões, dos planos
Doentes, cansados, sós, respirando enganos
Para lá das notícias há vidas reais

Imagem de: www.wikipedia.org.
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