Tempo outonal

A monotonia asténica dos dias sem idade
De Outono, a cada passo mais nocturnos,
Espelha-se nos olhares esguios, soturnos,
De quem nas ruas arrasta normalidade.
Até os mendigos se escondem em entradas,
Imóveis, à espera de sopa e de alento,
E tudo estaca, inclusive o vento,
E os ricos resguardam-se em salas fechadas
A chuva esconde-se nas nuvens, ao fundo,
Como envergonhada da cinzentidão
Que cobre o universo de solidão...
E o tempo discorre, tão lento e perdido
Que tropeça nas horas. Vai distraído
E quase desmaia, como as cores do mundo.
Imagem de http://isobe.typepad.com.