quarta-feira, março 22, 2006

Lusitânia


Pairam, sobre a Lusitânia inventada,
Porção triste e deprimida da Ibéria alegre,
Nuvens inabaláveis, sufocantes,
Secas de água e plenas de adjectivos,
Desertos imensos de esperança e primavera.
Reina uma paz podre na ruas e nos corredores,
Que adia, inclusive, todas as revoluções.
Mais vale a castração, a aceitação,
O ter-se pouco, nada,
Mais vale pouco, mais vale nada...
Nas sombras, perigosamente indefinidas,
As turbas incendeiam automóveis, urram incontroladas,
Lançam palavras de ordem! E porque será?
Nas sombras, perigosamente indefinidas,
Zunem cacetetes, balas sem rumo definido,
Surgem celas apertadas, marchas de mortos, valas comuns, pequenos Mussolinis justiceiros.
Acompanhamos tudo pela televisão...
Doenças terríveis, continuamente renovadas,
A luta da educação e o grande show,
O aliciamento e o pavor, que cocktail!
(Shaken but not stirred)
O perigo vem de fora, o outro é amarelo, mau,
É útil, cómodo, prático
E nada chega a ser um verdadeiro pogrom!
As turbas aguardam, entretanto,
Como aguardam os cães de guarda,
Como as indefinições eternas,
Como a própria espera eterna,
na paz dos senhores...



Imagem de http://tkdsinac.blig.ig.com.br.

Poema de Joaquim Camarinha

1 Comments:

Blogger Lila Magritte said...

El peligro viene de afuera, "Como a própria espera eterna,
na paz dos senhores"...

Beijos.

2:20 da manhã  

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