domingo, março 26, 2006

A lâmina romba


Cravo-te a lâmina no peito,
A lâmina romba, inocente,
Lâmina sem sequer ferrugem,
Imaculada, limpa, os olhos tão claros no gume,
Espelhos de algum satélite
Que perdeu a passagem do sol.
Falas-me agora no inverno
E levas-me ao tribunal de mim...
Estou inocente, senhor juiz!
O juíz vê-me tão longe!...
Porque imagina paisagens,
Nunca a realidade da sala.
Chama-me judaico-cristão.
Bate com o martelo na mesa.
Diz que assim não pode ser.
Tenho uma dor de cabeça
Que é uma lâmina na vida!...
Poema de Joaquim Camarinha

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