quarta-feira, fevereiro 08, 2006

O Sol

Quando não encontro nada para dizer,
Procuro o sol, embrulho-me no sol,
Alimento o meu olhar de sol,
Porque o sol diz-me, sem palavras, tudo o que tenho que saber.
O sol sobre campos e montanhas,
Sobre rios, mares e lagos,
Sobre prédios e vivendas,
Sobre fábricas, estradas e aeroportos...
O sol dita-me imagens desconexamente belas,
Emanações exclusivas do etéreo:
Cor, temperatura, luz, som, silêncio, movimento...
O sol fala-me como um grande professor inesquecível
E faz-me sentir como um perpétuo estagiário,
Eufórico e ousado em festas de início e fim de curso.



Imagem de www.postershop.com (tela de Roy Lichtenstein).

Poema de Joaquim Camarinha

6 Comments:

Anonymous HataMae said...

Depois de o ter visitado várias vezes...sem saber o que dizer...pois encontrava muita sombra, eis que hoje sinto-me contagiada por esta energia positiva solar.
Sinto mesmo, a esta hora, o calor e a luz de um raio deste sol.
A porta tem estado aberta, entro saio silenciosamente, varias vezes, mas hoje não posso deixar de manifestar que me fez tão bem ler o que escreveu...
Bem haja.
Um abraço,

9:55 da tarde  
Blogger Jorge Simões said...

Olá mãe (ou hatamãe). Luz e sombra são ambas parte integrante do mundo. Ambas fazem parte da observação do mundo exterior e interior e da busca de uma verdade que, claro, não é encontrável. A arte (de apreciação subjectiva, como subjectivo é o mundo) não procura exactamente retratar tudo isso, porque não se trata de um artigo de jornal, mas sim ir mais além. Captam-se pedaços de luz, fiapos de sombra, o tragicómico da existência quando não é meramente trágica ou cómica... Como um violino, a poesia não tem trastes nem meios tons, tudo se passa em comas. Para lá, para cá, por vezes insuportavelmente para lá ou para cá, a poesia é uma peça musical com muitas e muitas mudanças de tonalidade, ainda que sempre dentro do estilo do autor. A propósito, noto que o (preencher nome) tem andado a engolir um bocado o Joaquim Camarinha... Hmmm... Talvez seja natural, uma vez que nenhum heterónimo é um ser real. E que qualquer heterónimo, não sendo um ser exactamente real, tem muito menos direito a engolir quem lhe estás por trás do que o contrário. Ou, então, poderá ser uma fraqueza momentânea do Camarinha, que anda a ganhar forças para regressar ao seu bar, à sua noite e ao seu mundo... ou mudar de profissão, porque um heterónimo tem direito a mudar de profissão!

Tudo isto para dizer apenas: obrigado pela tua presença e fico muito feliz por te ter sabido entregar um raio de sol. Beijo.

10:24 da tarde  
Blogger Alma said...

A tua luz fez a Luz sentir-se mais intensa!
Beijo, meu poeta

Um segredo: para mim tu és o padrinho da Morgadinha;)

10:38 da tarde  
Blogger Jorge Simões said...

Beijoca e longa vida à Morgadinha! :)

10:51 da tarde  
Anonymous HataMae said...

Sim é verdade, tenho andado a "engolir" um bocado, do Joaquim Camarinha e seus heterónimos, movida pela curiosidade...infelizmente, tenho muito tempo livre.
Mas penso que não se importa pois não?
E assim vou estudando, um pouco a personalidade do poeta.
Honestamente quando involuntariamente, o incomodar, diga não voltarei mais.
Um abraço

1:39 da tarde  
Blogger Jorge Simões said...

Incomodar-me? Como? De forma alguma. Obrigado pela curiosidade e desejos de um bom fim de semana, como de uma vida preenchida com menos "tempo livre", mas mais "tempos felizes". Beijo.

4:33 da tarde  

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