terça-feira, novembro 01, 2011

Dia dos mortos


I

Uma mosca pousada sobre um espelho
Admira a beleza das suas asas e olhos vários
Ou não admira nada pois não pode
Nem sabe nada, se é nova, se é velha
E a velhice é tão subjetiva numa mosca
Que esbelta figura, que patas admiráveis
Pensaria a mosca se pensasse e descansasse
Se girasse lentamente neste mundo
E o melhor é um mata-moscas dos chineses
E um limpa-vidros no reflexo morto

II

Às portas dos cemitérios pejados
No Dia dos Mortos, entre flores e velas
Surgem sempre alguns pedintes rotos
Que só conhecem auto-lágrimas perdidas
E ignoram todas as memórias
Entre histórias contorcidas
Têm sempre famílias vastas para sustentar
E a ausência é, para eles, imediata
Sem jazigos brancos, por vezes esquecidos
Desconhecem mesmo a arte de falar
E redigem, por isso, lamúrias em pobre português

III

Havemos de viver no paraíso
Havemos de viver no paraíso
Havemos de viver no paraíso
We shall live again
No mantra de um tempo criativo
No mantra de um xamã repetitivo
No mantra de um sorriso ainda vivo
Seja vivo o que for ou o paraíso

Imagem de: www.taishimizu.com.

1 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Calado eras poeta!!
beijokas

9:12 da tarde  

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