sexta-feira, dezembro 10, 2010

Guinchar moderno





Há um chiar de pneus constante
Abaixo, à direita de onde moro
Um chiar estranho e irritante
Como um intuir tonitruante
Em agudezas que perfeitamente ignoro

É coisa de automobilistas
Adultos e documentados
Conduzindo ligeiros e pesados
Tementes a uma lomba minimal
Como se fosse natural
Chiar e buzinar nas autopistas

Por vezes, quase creio um acidente
Daqueles com muitas tripas derramadas
Que inundam de sangue estas estradas
E afinal é só a lomba recorrente

É moderno e recorda-me o antigamente
Nós em bicletas vinte e quatro
Em saltos de risco adolescente
Em dias de sol iridescente
Nós em bicicletas vinte e quatro
Saltando a idade e os descampados
Pelos terrenos fora esburacados

É a modernidade guinchadora
Nervosa, falsamente lutadora
E a vida dos que moram nela agora

Imagem de: http://merrymerryquitecontrary.files.wordpress.com.

2 Comments:

Anonymous tuamaiorfã said...

Adorei!!!

Poema interessante e tão actual!

Como compreendo o incómodo de ouvir recorrentemente este chiar!

Pergunto-me se a lomba se verá mal ou se as pessoas circulam demasiado depressa onde não devem!

Beijo e não deixes de escrever.

7:52 da tarde  
Blogger Jorge Simões said...

Ora muito obrigado pelo comentariozinho! Sei que sabes do que falo, seja no sentido mais literal, seja no mais literário... O que é uma lomba, no fundo? Será que eles imaginam que a lomba os poderá arrastar ainda mais fundo? Como gosto de usar o termo "eles"! E eis-me, assim, quase a esboçar mais um poemeto... Muitos beijinhos!

8:00 da tarde  

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