segunda-feira, maio 25, 2009

A balada de Pedro e Inês





Como soe dizer-se, and now for something completely different...



Inês era a aia preferida
Da esposa de Pedro, Constança
Jovem, crente na esperança
Das ilusões desta vida

Pedro, um príncipe mimado
Acostumado a mandar
Nas gentes, na terra e no mar
Do seu futuro reinado

Cruzaram-se os seus desejos
E logo os corpos sedentos
Sensações aos quatro ventos
Mil promessas e ensejos

Na corte, na solidão
Constança da prole cuidava
Enquanto Pedro gozava
Uma vida de traição

Mas a Pedro que importava
Se estava acima da lei
Se era o futuro rei
Que os destinos comandava

Então, o rei pai, no trono
Frio no seu matutar
Decidiu ter de ordenar
Um fim àquele abandono

E o sangue de Inês correu
Como corre o rio ao mar
Como flui no vento o ar
Como alternam a luz e o breu

Passadas as estações
Pedro, cego de vingança
Não quis saber de Constança
Mas de arrancar corações

E, à força, foi beijado
O esqueleto apodrecido
Coberto de um rico vestido
De Inês, desenterrado

Justiceiro nos anais
Escreveram-lhe altos poemas
Menorizando os dilemas
Das tibiezas mentais

Junto a Deus têm-no querido
Como um herói do amor profano
Mas eu vejo-o morto e humano
Num túmulo carcomido



Imagem de: http://poesiadelmomento.com.

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