quinta-feira, janeiro 08, 2009

O polvo





Escondido entre as rochas do fundo
Com os longos braços bamboleando
Ele sente-se o senhor do mundo
Agindo discreto, as intenções calando

Observa suspenso os peixes nadando
Felizes ou só vogando na vida
E, paciente, segue aguardando
O momento certo para a investida

De súbito surge e lança a fuligem
De frio negrume e discurso vão
E a vítima incauta, envolta em vertigem
Mergulha num poço, todo confusão

Quem resistirá ao seu esmagamento
À voracidade dessa natureza?
Que Judas se esconde a cada momento
Nos doces sorrisos que medem a presa?

Tanta predação nem o douto Vieira
Podia antever para Portugal
Quase todos peixes numa frigideira
Em que o dito bem sabe sempre mal



Imagem de: www.paullesch.com.

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