quarta-feira, maio 17, 2006

Tóxico


Eis-me intensamente morto,
A morte espástica, atarantada,
Estranho fantasma em carne viva,
Mortificado, amortalhado,
De tanto activismo e spleen existencial!
Ensinem-me a poesia bonita,
A prosa leve e comercial,
De cujos céus azul-pintados
Não pende qualquer mancha insuspeitada!
Ensinem-me a sorrir sem ironia,
A gargalhar sem ponta de sarcasmo!
Sou um tufão prenunciador de trovoadas,
Tempestades nulas, secas, sempre por haver,
Um armazém industrial de trechos de Beethoven,
Pré-orgasmo inconclusivo made in lá-lá-lá!
Apetece-me exclamar a vida inteira...
Mau gosto estético? Tomem, por favor:
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Que alívio tão momentâneo...
Rodeiam-me toneladas de cubos de pizza
E o corpo, insensato, a recusar!
Só quero chutos de inocência,
Snifs serenos de normalidade,
Vícios saudáveis do não querer saber.
Saber dói como uma amputação do sentir...
Vem nos jornais, revistas e campanhas de prevenção
E não entendo como caí na armadilha de reflectir...


Imagens de www.flonnet.com e www.huntel.net.

2 Comments:

Blogger Lila Magritte said...

Saber duele. Desgarra.
Eu penso isso também.

12:10 da manhã  
Blogger Anarquista Duval said...

Como ele disse: "Cansa ser, sentir dói, pensar destruir."

1:07 da manhã  

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