segunda-feira, fevereiro 13, 2006

As palavras

Quantas palavras me cabem na cabeça?
Palavras em voz baixa...
Silêncios ensurdecedores...
As palavras todas empilhadas, criogenizadas,
E fervilham, fervilham sem parar...
Que estranhos simbolismos escondem as palavras?
Este abecedário como um terço repetido,
Esta confusão de sons em movimento,
Este caos primevo de sentidos que se entrechocam,
Ondas imensas de palavras
A salpicarem-me o rosto e a alma...
E é tudo alma, as palavras, mesmo as más,
Todos os sons que me obrigam a pensar.
Sabes? Olá! Gosto! Não é? Acho... O quê? Horrível!
Não... Nunca uma palavra pode ser horrível...
Pode ser gelada, cortante, doentia, destruir toda uma vida,
Pode ser a menos e a mais, mas horrível não.
As palavras são o princípio, o meio e o fim,
A existência plena, bêbeda de Espírito Santo.



Imagem de www.elizabethnuti.com (tela de Elizabeth Nuti).

Poema de Joaquim Camarinha

2 Comments:

Blogger Alma said...

Por vezes grito palavras baixinho...para não magoar, e fico eu magoada.

Gostei muito, meu poeta...beijo meu

11:10 da tarde  
Blogger HatA/mãe said...

Eu tambem tenho a cabeça cheia de palavras, mas ás vezes não me saiem
ainda abro a boca, mas volto a "engoli-las".
Mas são apenas palavras, não vozes...porque já não estou tão louca ou estarei?
Um belo poema, um belo jogo de palavras, sim senhor.
Um abraço

10:54 da manhã  

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