terça-feira, maio 30, 2017

O rio


Rio longo e largo vai serpenteando
Forte e emplumado no seu fogo brando
E é a gente quem grita e o sangue repica
Num campanário remoto, o deserto
Um portal incerto ao rumo entreaberto
E seguem-no os peixes pelo mar dentro
E bebem-se a sorte da vida e da morte
Por entre sargaços de fogo a dançar
E naus pelo caminho estrelas a pastar
E astros espelhados e nuvens opacas
E Adão em sofás, em camas e em macas
Num sonho bizarro de um deus persistente
O rio dilui todo o mundo de gente
Chegados ao cosmos onde arde a fornalha
Onde o céu se põe como uma mortalha
Cantam louvores e entregam-se ao nada
E o rio desenha no universo a estrada
Vazia e imensa em queda e esplendor
Fogo de artifício de um só espetador

Imagem de: Groupon

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