terça-feira, outubro 24, 2006

Chuva


Tomba diariamente na calçada,
Lançada nas janelas e telhados,
No vento, em soluços estremunhados
E sentimo-nos baptizados de nada.

É um espírito informe, sacrossanto,
Que nos submerge em repetição
E como num acto de contrição
É, por si só, horror e pranto.

Deixem-me dormir o outono inteiro,
O inverno, junto ao borralheiro,
Em posição fetal, no desconforto,

Deixem-me fazer de morto
E aguardar que as águas que se escoam
Se separem como os pensamentos voam...


Imagem de www.mikeserieys.co.uk.

2 Comments:

Blogger Maria P. said...

Uma só palavra:

Magnífico!

2:07 da tarde  
Blogger Lila Magritte said...

Siempre vuelvo para sentir y vivir tu poesía.

Abrazos.

2:44 da tarde  

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