quinta-feira, maio 11, 2006

Quem me dera o que não dera...


Quem me dera no tempo de Pessoa,
Quando as coisas aparentavam simplicidade
E se não se ganhavam prémios e louvores
Podiam compreender-se os motivos,
Podiam, pelo menos, compreender-se os motivos!
Quem me dera no tempo de Baudelaire,
Quando as coisas aparentavam simplicidade
E se não se ganhavam prémios e louvores
Era por se ter adormecido sobre o absinto
E os prémios e louvores eram para burgueses!
Quem me dera no tempo de Shakespeare,
Quando as coisas aparentavam simplicidade
E se não se ganhavam prémios e louvores
Era por não haver ainda semelhantes coisas,
Mas recebiam-se favores de damas enfastiadas,
Recebiam-se, ao menos, os seus favores!
Quem me dera no fundo escuro de uma gruta,
Pintando heroicamente cavalos e bisontes,
Pintando-os, molhando-os em sangue de animais,
Sem prémios e louvores, sequer, no vocabulário estreito!
Quem me dera fora do tempo e de tudo...
Quem me dera, francamente, não querer...


Imagem de http://witcombe.sbc.edu.

2 Comments:

Blogger Maria P. said...

Ainda bem que pelo menos o poeta quer escrever!

Beijinho

6:53 da manhã  
Blogger Lila Magritte said...

Sí, y esperemos que continue escribiendo eternamente.

4:28 da tarde  

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