domingo, abril 29, 2007

Chuva picotada




Cai uma chuvinha picotada
Como naqueles recortes do jardim de infância,
Como na infância embalsamada,
Como na memória trucidada...
Cai uma chuvinha como um Passatempo Infantil
Num canal a preto e branco há tanto tempo!...
Espera... Falámos certa vez, não foi?
Conversámos longamente e senti-me alguém
Porque eras freak e fixe e feminina
E nem pensavas picotar-me a existência.
A memória recorda assim todos os fantasmas,
Absolutamente caótica e ocasional,
O Vilarinho, agora - e morto já! -, a antever-me a fama,
Sempre o tempo como um sonho difuso,
Ora próximo, ora distante, ora confuso...
Cai uma chuvinha picotada,
Espírito Santo chovendo sobre a igreja
E todos os templos do universo sobre a minha vida.
Blue cheer, vulcão negro, yellow submarine...
Nunca provei, mas sei como quem sente
A vida como ácida e impermanente.


Imagem original de www.flickr.com.

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