Triste secura meridional/Nazaré

A triste secura meridional
Explode sobre a erva entontecida,
Pelas cores da terra amarelecida
E pelo vento raso, diagonal.
Ao fundo da planície adormecida,
Embalada por vozes e buzinas,
Irrompem as cidades, pequeninas,
Onde fervilha o caldeirão da vida.
E sorvemos o caldo português,
A espátula na pátria surreal,
Tão pálida no tom ocre do ar...
O suor sobe em gotas pela tez
Morena da planura tão carnal,
Capturada no molde do olhar.

Escutam-me esse silêncio milenar
De sete véus, céus, saias de negrume,
Mercadores de sóis falsos frente ao mar
Que tudo esconde, menos o azedume.
Surgem rostos, Amália, a tradição,
A quilha de barquinhos, anjos, santos,
Talhados em linhas falsas na mão
Que agonizam, lentas, em desencantos.
Apazigua a minha alma coberta
De altos cúmulos de saudade feitos,
Nossa Senhora desta rota incerta
Que amamentas o caos com os teus peitos!
Imagens (a cores) de www.plainscents.com e www.planet-interkom.de.
3 Comments:
Fiquei encantada.
Que sensibilidade, consegues sempre surpreender-me, obrigada.
Beijinho.
Muito obrigado e um beijo. :)
Eu vi a Nazaré... e gostei muito desta terra de pescadores e do apaziguamento da alma.
Beijo
Viajante de Portugal
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