segunda-feira, maio 17, 2010

O etéreo retorno 2





O tempo combina, solitário
Em pálpebras cerradas movimentos
Que cruzam realidades, pensamentos
Como peixes estonteados num aquário

Segue ao meu lado a minha mãe saudosa
Aconselhando calma e condução
Ao deslizar do volante em minha mão
Rolando numa estrada pedregosa

Ignoro onde estejamos, eu e ela
Na extrema confiança que me atinge
O pensamento cria, o pensamento finge
E eu olho o rio ao lado pela janela

Inverto então a marcha, temerário
Sentindo a curva lisa junto à berma
E entrego ao abismo a mente enferma
Como o escuro insciente de um armário

E eis que já não estás, eis-te partida
Do carro em que se turva o rio fundo
Onde aguardo sereno o passar do mundo
Na água onde começa e onde acaba a vida


Imagem de: www.natures-desktop.com.

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