segunda-feira, abril 19, 2010

E eu hei-de vingar a minha mãe





Um automóvel novo estacionado em dois lugares
Como afirmando o mundo é meu e o Algarve
E o proprietário entra e cospe para os ares
De óculos escuros, GPS e um sorriso alarve
Ele vive de conquista e corrupção
De elos políticos ao poder local
E nunca teoriza sequer a emoção
Que lhe passa tão próxima do cérebro boçal
Serve-se de leis como de guardanapos
Em restaurantes caros onde vai
Farto e limpando o dia alheio de farrapos
E eu hei-de vingar o meu pai
Ri modernidades temporais
No carro onde se encosta não está só
Entre couros e madeiras digitais
E eu hei-de vingar a minha avó
Não gasta a vida em mesas decadentes
Não atafulha a casa de recordações
Não chora silenciosamente os seres ausentes
Mundos partidos, desbotados Verões
Cospe para o ar como quem quer
E olha quem trabalha com desdém
Tanto me faz, aliás, há-de morrer
E eu hei-de vingar a minha mãe

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