quinta-feira, dezembro 31, 2009

Isto não é poesia!





Não é nem pode ser, porque os que, em Portugal, são escutados, ou não são poetas ou se venderam à podridão do sistema.
É hábito, no voltar do ano, ponderar-se e comentar-se o que no ano que finda de mais importante terá ocorrido. Inutilidade e repetição.
Um outro hábito, usualmente ao bater da meia-noite, hora tradicionalmente de terror, consiste em traçar desejos para o ano que se segue. Serei breve...
Desejo que quem nos governa medite sobre os alicerces da moralidade e do serviço público e ganhe consciência que governar bem não é governar muito nem fingir que avança como o burro que se recusa a avançar uma ribeira num universo de efeitos especiais.
Desejo ainda que as hordas de comentadores televisivos, geralmente jornalistas, mas não necessariamente bons jornalistas, se calem. Já cansam, já cansam desde sempre, e é tremendo ouvi-los traçarem subrepticiamente os desígnios do país sem que entendam minimamente dos milhares de matérias que abarcam. Se juntássemos todos os que ocasionalmente e a toda a hora lhes ouvem as barbaridades e sabem, em cada matéria, que se trata de barbaridades, ficaríamos certos que esses propagandistas gratuitos ou pagos de formas menos comuns não fazem a mínima ideia de coisa nenhuma. Não precisamos de palavras de ordem. Não precisamos de gente que se refira à primeira figura da Nação, Cavaco ou não, como "o Cavaco". Não precisamos de tanta presunção sem merecimento.
Desejo, também, que os empresários portugueses compreendam o seu papel social e, fundamentalmente, que é a eles e apenas a eles que cabe gerar riqueza e que se Portugal é um país pobre, rico ou ainda, como tão bem sempre nos calhou, remediado, só a eles se deve.
Desejo que o dinheiro de quem toda a vida trabalha para uma velhice minimamente digna deixe de ser desviado quer para os muito ricos, mantendo-lhes artificialmente a riqueza, quer para os pobres, mantendo-lhes melifluamente a pobreza.
Desejo que deixemos de viver no país das aparências onde a raiva cresce a olhos vistos e os inúteis brandos costumes não dão lugar a uma atitude construtiva.
Desejo muito mais...
Por fim, desejo a todos vocês que me acompanham, um ano de 2010 em que estes e os vossos desejos se realizem, contrariando o peso egoísta do fado sebastianista que há séculos nos mantém irmãos na obscuridade, no egoísmo, na inveja, numa palavra, na ignorância. Um abraço.

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