quarta-feira, novembro 25, 2009

Mini-ode decadente





Após mais noventa minutos imerso na neblina densa
De uma fábrica cheia de operários contentes, anestesiados
Com a noção automática de o poeta ser incompreensível e maluquinho...

Quem dera ter sabido compor uma ode triunfal...
Dói-me mentalmente a garganta de me curvar em vénias correctas
E escrevo versos que ninguém irá compreender.
Eia tios patinhas e concursos de danças no gelo!
Eia sites escondidos em plena vista na Internet!
Eia shopping centers brotando como cogumelos!
Eia manutenção alegre do status quo!
Eia sorriso ou raiva de quem não cante no coro!
Eia comovente judaico-cristianismo flutuante!
Eia todas as igrejas de blocos pesados em derrocada,
Casas novas, canais novos, frases novas, estonteante novo-novismo!
Eia a crise que é sempre culpa dos outros!

Eia-hé-hô-hup-lá e tá-se bem.


Imagem de: www.sherbornehouse.org.uk.

1 Comments:

Anonymous Excertos do Quotidiano said...

"...Dói-me mentalmente a garganta de me curvar em vénias correctas
E escrevo versos que ninguém irá compreender."
Depois...importa as ligações feitas pelo caminho e o que se deixa para trás??...talvez porque afinal o que nos sustenta é a consciência que temos, mesmo podendo ser tudo falso o que considerávamos perpétuo nas nossas certezas e definições, nunca nos darmos por vencidos…
e...acabar com as certezas não quebra porque a estabilidade vem de dentro e não de fora…
por isso, como tu dizes, "tá se bem..."

11:38 da manhã  

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