segunda-feira, janeiro 18, 2010

Despersonalização elegíaca





Não escrevo elegias quando ceifa a morte
Campos ressequidos de almas por regar
A morte sem rosto, eu deixo-a passar
E ao cortejo roxo sob a chuva forte

Tangem os sinos na aldeia distante
Do meu existir noutros universos
Como são pinturas, temas e versos
E eu vejo para dentro o som calcinante

E vejo para dentro o tempo ilusório
E sinto que os mortos me são conhecidos
Mais que os seres viventes, tristes, esquecidos
Que vão sobrevivendo como num velório


Imagem de: www.treklens.com (fotografia de Christian Hansen).

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