segunda-feira, abril 03, 2006

Joaquim Camarinha despede-se


Foi com certa surpresa, não diria uma surpresa total, mas alguma surpresa, que hoje encontrei na minha caixa de correio a seguinte carta de Joaquim Camarinha, que passo a revelar-vos:

Meu caro Jorge,

Sei que a minha decisão te apanhará de surpresa (ou nem tanto), como de surpresa apanhará todos os que, em Portugal e no estrangeiro, têm vindo a acompanhar o Poesia para quem quiser... A ti, pela paciência e amizade demonstradas ao manteres-te serenamente na sombra, a todos os restantes, pelo apreço maior do que poderia ter imaginado, agradeço do fundo do coração.
A verdade, no entanto, é que Portugal se torna muito pequeno para mim. Vejo-nos todos atolados em crise após crise, ninguém suficientemente capaz para encontrar saídas válidas, algum provincianismo também, devo confessá-lo, e tudo isso acaba por, de algum modo me sufocar!
É assim que decido partir. Não revelarei o meu destino, os meus destinos, sei apenas que são meus, mas prometo enviar notícias sempre que tal me seja possível e sempre que me apeteça... Parto hoje mesmo. De facto, já parti. O mundo é um sítio pequeno e está na altura de o conhecer um pouco mais...
Tudo o que te peço é que não permitas a morte deste blog que criei com muito gosto, a que dediquei muito do meu tempo, e que cresceu mais do que incialmente previ, tendo em conta a sua especificidade... Em número de textos publicados e em amigos.
Sei que não te será difícil... Na realidade, venho, de há tempos para cá, constatando que, de algum modo, tens vindo a tomar conta das minhas criações. Este espaço afigura-se-me, actualmente, tanto meu como teu. Nada que te leve a mal. Acho mesmo perfeitamente natural. Tu e eu somos o mesmo sem o sermos e, se mais ninguém o compreender, compreendêmo-lo nós.
Peço-te ainda que mantenhas a escolha estética - porque é nossa e não apenas minha. Peço-te que mantenhas a força na escrita, as opções que aqui desenvolvi, que o Poesia para quem quiser permaneça vivo e coerente. Para tal, conto contigo e sei que posso fazê-lo...
Um grande abraço fraterno e até sempre!

Joaquim Camarinha

Bom, que posso acrescentar? Joaquim, podes confiar. Farei o meu melhor para honrar os teus desejos. De resto, desejo-te boas viagens, muitas descobertas, novas inspirações e espero que nos contactes ocasionalmente, que nos envies, inclusive, um poema ou outro, se para tal te sentires inspirado. Um abraço meu e de todos nós.



Imagem de http://lunaroutpost.com.

Nota final: vejo que todos os poemas até agora publicados passaram a conter a minha assinatura, em lugar da de Joaquim Camarinha. Coisas do blogger que não sei resolver. Se alguém souber e tiver a amabilidade de me transmitir uma solução destinada a repor a verdade - que todos os poemas até agora publicados são da autoria de Joaquim Camarinha - agradeço muito sinceramente.


Segunda nota, só para quem interessar: se forem bisbilhotar o meu perfil, verificarão que o mesmo indica que o meu signo solar é Capricórnio. O significado disso é que o blogger não sabe traçar cartas astrais. No dia em que nasci, à hora em que nasci, o meu signo solar é Sagitário, tal como o meu ascendente é Sagitário.

3 Comments:

Blogger Lila Magritte said...

Complicado el asunto. Hoy puedo pensar en suplantación de identidades. Mañana puedo creer que una sombra te dio muerte y heredó tu blog.
Tal vez sólo sea que alguno de los dos se ha mirado en un espejo de la casa de Borges y no ha vuelto. Tal vez este agujero negro, como un cortinaje que todo lo envuelve devoró a Joaquim camarinha y envió a cambio a un personaje extraviado en un pliegue del tiempo.
No sé.
La incertidumbre no me deja intuir ni aplicar la absurda lógica de diario.

2:42 da tarde  
Blogger Jorge Simões said...

Pois...

Falei há pouco com o Joaquim no MSN. Posso dizer-vos que está deslumbrado com as coisas que mal começou a descobrir no local onde neste momento se encontra (prometi não revelar onde) e citar somente uma coisa que me disse e com a qual não posso deixar de concordar: "Nem Fernando Pessoa engoliu Álvaro de Campos, nem David Bowie engoliu Ziggy Stardust. Mas a personagem não pode liquidar o seu criador. Pessoalmente, não sou canibal :)".

Cumprimentos meus e do Joaquim.

12:17 da manhã  
Blogger Lila Magritte said...

Jajajajaj... Esta bem porem nao sei cual é a verdade, si é que existe a verdade. Há muitas formas de canibalismo.

Mas é interessante o que voce esta facendo.

beijos.

2:48 da manhã  

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