sexta-feira, abril 25, 2008

Sessão de esclarecimento

A propósito de uma dúvida que surgiu e que definitivamente corre o risco de surgir quando se fala da algo cerrada linguagem poética... A poesia é polissémica, subjectiva e forma artística. "O poeta é um fingidor...", como escreveu Pessoa, "...Finge tão perfeitamente/Que chega a fingir que é dor/A dor que deveras sente". A intenção primeira da arte poética não é copiar a realidade, mas sim trabalhar na linguagem as impressões e ideias do poeta transformado em sujeito poético. Se eu pretendesse confessar-me, poderia escrever um diário e mesmo assim!... Não é o caso. É preciso muito cuidado com a análise psicológica e biográfica do texto poético (e diria mais, de toda a expressão artística), ainda que os textos nasçam do poeta, das suas ideias, das suas impressões, das suas observações, das suas influências transformadas, das suas experiências pessoais e ainda vividas por interpostas pessoas.
Posto isto, claro que gostaria que um dia se lembrassem de analisar os meus poemas em doutas faculdades de Letras. Seria, no entanto, acima de tudo interessante ver até que ponto a polissemia permite a conclusão de disparates aparentemente lógicos à revelia da intenção criativa do poeta...

1 Comments:

Blogger Rosi Gouvea said...

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

*Fernando Pessoa*

Vale sempre a pena andar aqui por perto!

Doces Beijos

11:45 da tarde  

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