quarta-feira, abril 19, 2006

Quarta-feira de cinzas


Hoje é quarta-feira de cinzas
Sem ser quarta-feira de cinzas,
Pelas cinzas de todos os cigarros,
Pelas cinzas das braseiras do passado,
Pelas cinzas que volteiam pela curva temporal...
Nas ruas, em dias de cinzas,
Não há rectas nem espirais.
Somente rasgos de tintas
Que escorregam além-telas,
Enganam os deuses à passagem,
Perpassam os olhares das deusas
Que nunca parem fins nem princípios.
Belíssimo caos da anarquia natural,
Tão bem oculto por pinturas indeléveis!
Vejo-os felizes, infelizes, indiferentes, enganados,
Convictos de que os relógios marcam horas concretas,
De que Deus zela por cada livre-arbítrio,
Certos da ordem, que é a maior das excentricidades...
Amanhã visitarei a minha sepultura abandonada
Onde jazem todas as ilusões, todos os projectos,
Lançarei ao ar as minhas cinzas em slow motion
E deixar-me-ei submergir por essa chuva suave...
Hoje é quarta-feira de cinzas
E, amanhã, quarta-feira uma vez mais.


Imagem de www.semjaaza.com.

1 Comments:

Blogger Maria P. said...

E ontem foi quarta-feira de cinzas...lindo.
Bjinho.

10:50 da tarde  

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