segunda-feira, maio 28, 2012

O bêbedo


Vi um bêbedo velho de esguelha 
Na minha linha retilínea para o trabalho 
Na sua linha de linhas subjetivas 
Na sua boina e casaco desgastados 
No seu rosto papudo e acinzentado 
Vi um bêbedo velho neste mundo 
E senti pura pena de um tão grande peso... 
Como a pena caindo de uma águia moribunda 
Ou um pássaro ferido na berma da estrada.

Imagem de: tuilamaciel.blogspot.pt.

terça-feira, maio 15, 2012

Os espectros



Os espectros perseguem-nos no escuro
Sem pertença ao futuro ou ao passado
Essas sombras que não são de nenhum lado
Essas coisas infantis de olhar impuro

Vagueiam talvez pelo não-lugar
Que sentimos como algo real
Onde se esbate todo o bem e o mal
E onde se dilui todo o pensar

Não são metáforas de nada
São o mero vácuo e a negridão
Os restos crus de uma indigestão
Ou os sons sentidos da noite calada

E não servem qualquer finalidade
Nem de nos fazer pensar no universo
Nem de nos fazer criar um verso
Esses monstros do vazio sem idade

São o próprio retrato da existência
A verdadeira, sem vãos misticismos
As fases do sono e dos abismos
Que confundem e entretêm a ciência

terça-feira, maio 01, 2012

Mais um primeiro de maio


Hoje trabalha-se pelo continente 
Dia do trabalho ou dos trabalhadores 
Com a chuva tombando nos manifestantes 
E eu gosto de ver coisas nas estantes 
Prateleiras cheias pelos corredores 
E gosto pouco de massas al dente 

 Gosto do aroma do café torrado 
Do cheiro do tabaco ainda por queimar 
Da minha mulher, do meu filho e do ar 
Que achamos um dia ter respirado
advertising
advertising Counter